A Fábrica Invisível do Pensamento
A inteligência artificial prometeu tornar o pensamento barato e imaterial. Mas por trás de cada resposta há chips, energia, dívida, data centers e uma nova geografia do poder. A pergunta já não é apenas se substituirá o humano. É quem paga a fábrica que tenta imitá-lo.
A primeira fábrica do pensamento artificial não tinha chaminés. Tinha um sino de abertura no Nasdaq.
Na manhã de 28 de março de 2025, quem o tocou foi Michael Intrator, fundador e CEO da CoreWeave. O ritual era conhecido: ecrãs acesos, empregados alinhados, executivos sorridentes, uma empresa privada a atravessar a fronteira simbólica que a transforma numa promessa pública.
Miguel Sousa Soares é economista e analista de geoeconomia e inteligência artificial, com mais de vinte anos de experiência em estratégia e corporate finance. Escreve na Visão, no Expresso, no Jornal de Notícias e no Correio da Manhã e comenta inteligência artificial na NOW, às sextas-feiras.